Javier Milei enfrentou sua maior derrota política desde que assumiu a presidência da Argentina. Nas eleições legislativas realizadas no domingo (7) na província de Buenos Aires, o peronismo, liderado por Axel Kicillof, obteve 47,28% dos votos, enquanto a aliança de Milei, composta por A Liberdade Avança e o PRO, alcançou 33,71%. A diferença foi de quase 14 pontos percentuais, com 99% das urnas apuradas.

O presidente argentino, Javier Milei, se dirige ao público após a vitória do partido peronista nas eleições legislativas da província de Buenos Aires, que deixou seu partido governista, La Libertad Avanza, em segundo lugar. Foto: REUTERS/Tomas Cuesta
Fatores que influenciaram o resultado
A derrota de Milei foi atribuída a uma combinação de fatores políticos e econômicos. No campo político, o peronismo lançou candidatos de peso ligados à gestão provincial. Por exemplo, Gabriel Katopodis, ministro da Infraestrutura e Serviços Públicos de Kicillof, conquistou cinco cadeiras no Senado. Além disso, Verónica Magario, vice-governadora, garantiu dez vagas no terceiro distrito.
No campo econômico, Milei chegou à votação com dados menos favoráveis do que esperava. Apesar da queda da inflação acumulada em comparação com 2024, a economia mostrava sinais de estagnação e retração. Além disso, intervenções recentes no câmbio para segurar a desvalorização do peso reduziram o impacto positivo que o governo esperava explorar durante a campanha.
Repercussão política
O resultado teve ampla repercussão no cenário político nacional. Axel Kicillof comemorou a vitória e criticou a forma de governar de Milei. Ele afirmou que os números mostraram que Milei não pode mais governar com ódio e insultos. Cristina Kirchner, mesmo em prisão domiciliar, também se pronunciou, dizendo que o resultado foi um recado para Milei sobre a necessidade de governar para todos.
Com o resultado, os peronistas aumentaram a presença no Senado provincial, passando de 21 para 24 cadeiras, e mantiveram a posição de primeira minoria na Câmara, com 39 assentos. A coalizão governista avançou de 12 para 15 cadeiras no Senado e de 24 para 31 na Câmara, mas não conseguiu reduzir a distância em relação ao principal adversário.








