O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou nesta quarta-feira (17/9) que vetará qualquer proposta de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), caso o texto avance no Congresso Nacional. A declaração ocorreu durante entrevista à BBC News Internacional, no Palácio da Alvorada.
“Pode ter certeza: se chegar para eu vetar, eu vetarei”, disse Lula de maneira enfática.
A fala acontece em meio à pressão da base bolsonarista para que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), coloque o projeto em votação. Parlamentares articulam regime de urgência, o que aceleraria a tramitação.
Apesar do tom firme, Lula ressaltou que o debate inicial pertence ao Legislativo. Segundo ele, o presidente da República não deve intervir diretamente:
“Se os partidos entenderem que é preciso votar a anistia, esse é um problema do Congresso.”
STF condena Bolsonaro
Na última quinta-feira (11/9), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de ataque à democracia. Desde agosto, ele cumpre prisão domiciliar porque descumpriu medidas cautelares ligadas a investigações sobre articulações contra os interesses do país, em parceria com o filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Crítica à “PEC da blindagem”
Além da questão da anistia, Lula criticou a aprovação da chamada “PEC da blindagem”, que dificulta a abertura de investigações contra parlamentares.
“Se eu fosse deputado, votaria contra. Se fosse presidente do meu partido, orientaria a bancada contra. Aliás, eu fecharia questão e não permitiria voto a favor”, afirmou.

Relação com Donald Trump
Às vésperas da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, Lula também falou sobre a relação com os Estados Unidos. Ele criticou o aumento de tarifas imposto por Washington e explicou por que não procurou Donald Trump.
“Eu não liguei porque ele nunca quis conversar”, comentou.
Contudo, o petista disse que não pretende evitar o ex-presidente norte-americano caso os dois se encontrem em Nova York:
“Se ele passar perto de mim, vou cumprimentá-lo. Sou civilizado, converso com todos. Minha vida política sempre foi de negociação. Portanto, isso não é problema para mim.”








